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Economia Criativa é responsável por um a cada quatro postos de trabalho de Porto Alegre, aponta estudo

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- Foto: Rafael Varela, Ascom/Sedac

A chamada Economia Criativa, que reúne setores vinculados à cultura, criatividade, conhecimento e inovação, é responsável por 24,7% dos postos de trabalho gerados em Porto Alegre. Os números da capital são abordados em estudo inédito divulgado nesta terça-feira (26/4), durante a palestra "Potenciais Criativos - Caso Porto Alegre", realizada na Casa de Cultura Mario Quintana como parte das ações do 2º Circuito RS Criativo.

Somando os empregos formais representados pelas atividades dos Microempreendedores Individuais (MEIs) que atuam na área, a capital gaúcha conta com 125.631 postos de trabalho relacionados com a Economia Criativa. O levantamento leva em conta um conjunto de 92 atividades vinculadas a oito segmentos da economia gaúcha, com destaque para áreas como Arquitetura, Design e Moda, TI e Software, Publicidade, Artes Visuais, Audiovisual e setores ligados ao Mercado Editorial, Pesquisa e Patrimônio.

Em uma área conhecida pelo alto nível de informalidade, a Economia Criativa representa 11,8% dos empregos formais gerados na maior cidade do Rio Grande do Sul, com um total de 100.685 postos. A maior parcela dos empregos é registrada no grupo de Arquitetura, Design e Moda (34,9% do total), seguido da área de Pesquisa, Desenvolvimento e Ensino Superior (26,4%) e TI e Software (16,9%). Somados, os três setores representam quase 80% dos empregos formais na área criativa.

Trabalho conjunto

Produzido a partir de uma parceria entre a Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), a Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG) e a Prefeitura de Porto Alegre, o estudo levantou elementos para a análise da Economia Criativa no município. O material da capital gaúcha é o primeiro produto desenvolvido a partir de uma metodologia criada pelo Grupo de Trabalho (GT) INOVA-RS, formado pelas equipes técnicas da SPGG, por meio do Departamento de Economia e Estatística (DEE), da Sedac, por meio do programa RS Criativo, da Secretaria de Estado de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict), da Prefeitura de Porto Alegre e da Universidade Feevale.

Com a colaboração de pesquisadores de todo o Brasil, o GT iniciou os trabalhos em março de 2021 e liderou a elaboração do método que vai auxiliar a medir os potenciais criativos nos municípios, etapa importante para a formulação de políticas públicas de fomento à área, um dos objetivos do RS Criativo, programa estratégico coordenado pela Sedac.

“Para que a Economia Criativa se fortaleça e cresça ainda mais no Rio Grande do Sul, é preciso conhecer a realidade atual de forma a oferecer oportunidades de capacitação e recursos de fomento que sejam adequados a cada localidade. Nesse sentido, a Sedac se associa às instituições estaduais, municipais e universitárias que estão colaborando para levar a metodologia da pesquisa-piloto realizada em Porto Alegre a todas as regiões do estado. É mais um passo importante para inovar e avançar na cultura", destaca a secretária da Cultura, Beatriz Araujo.

Beatriz também aponta a importância dos estudos para traçar novas perspectivas de futuro após a pandemia. “Muitas foram as dificuldades, mas estamos vivenciando um novo momento. Isso dá ânimo para que possamos seguir com o nosso trabalho, criando possibilidades para que os governos, a educação e o mercado possam atuar em prol do desenvolvimento da Economia Criativa no Rio Grande do Sul.”

Porto Alegre

Responsável por 13,9% dos empregos com carteira assinada do RS, Porto Alegre concentra, conforme o estudo, um em cada quatro dos empregos criativos do estado. Em relação aos empreendimentos criativos, um em cada cinco se situa na Capital. Quanto ao número de empresas, as atividades ligadas à Economia Criativa em Porto Alegre correspondiam a 14,0% do total de empreendimentos da cidade em 2019, conforme o Cadastro de Empresas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano, eram 11.747 empreendimentos do segmento na Capital, sendo 34,3% desses no grupo de Arquitetura, Design e Moda e 19,8% em TI e Software.

Em termos de arrecadação, considerados impostos estaduais e municipais, a Economia Criativa gerou em 2020 cerca de R$ 400 milhões aos cofres públicos. O estudo do DEE/SPGG indica ainda que 88,3% dos empreendimentos da Economia Criativa de Porto Alegre são registrados como Microempresas, Empresas de Pequeno Porte ou MEIs e, em média, cada empreendimento deste gera 7,5 postos de trabalho.

Quanto à remuneração, a média dos rendimentos dos trabalhadores assalariados nos distintos setores da Economia Criativa era, em 2019, de R$ 3.471,00 em Porto Alegre, acima dos R$ 2.556,00 identificados pelo IBGE como a média dos trabalhadores com carteira assinada da Região Metropolitana no mesmo ano. Entre os segmentos, o destaque em termos de salário é do grupo Pesquisa, Desenvolvimento e Ensino Superior (R$ 5.938,00), seguido de TI e Software (R$ 4.231,00), tendo o setor de Publicação, Editoração e Mídia (R$ 2061,00) registros abaixo da média.

No ranking nacional, Porto Alegre está na sexta posição entre as capitais em termos do número de empresas e de postos de trabalho na Economia Criativa, numa lista liderada por São Paulo e Rio de Janeiro, polos de grande concentração do setor cultural no país.

Essa concentração, conforme o estudo, é uma das explicações para outro fenômeno registrado na capital gaúcha, que é o da constante perda de trabalhadores para cidades do centro do país.

“Nossa capacidade de formação de bons profissionais, tanto pela formação acadêmica como pela experiência em um setor diversificado e qualificado, não é sustentada por uma estrutura remuneratória condizente, o que leva a uma constante perda de mão de obra qualificada, especialmente para empresas do eixo Rio-São Paulo”, destaca o pesquisador do DEE/SPGG Tarson Núñez, um dos responsáveis pelo estudo.

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Texto: Vagner Benites, Ascom/SPGG

Departamento de Economia e Estatística